Não conseguia perceber beleza, eu não.
Era fácil de ver algo errado, ou não ver alguma coisa certo, alguma certeza. Só percebia insegurança nesse caminho.
De tantos devaneios, os motivos...
Há mais terra no vaso, menos terra no chão.
De tantos concretos, um murmúrio fugaz
Contrariando algo que todos sabem mas ninguém é capaz de negar
Fazer o seu, à sua moda, em seu tempo.
De tantos prédios, criamos os vasos
E de tantos muros, conjuramos as escadas
Eu, você, eu, ele...
Pedimos isso, com um brilho no olhar, uma palavra enganadora, um aperto de mão
E agora?
Há mais terra no vaso...
Um caminho louco meu é só meu
Que não é fruto, é só uma razão
Criada pra disfaçar e atenuar as imagens da realidade
Há mais terra no vaso, mais e mais no vaso
E eu esqueci do chão.
segunda-feira, setembro 29, 2008
há mais terra no vaso.
segunda-feira, setembro 15, 2008
esse rala num rola mais
Não rola.
quarta-feira, setembro 03, 2008
dia
Hoje o dia já quase passou.
Já é, portanto, quase passado.
Mas hoje é presente.
Não aconteceu nada, mas é presente.
E era futuro de ontem, planos e sonhos.
Não aconteceu nada, mas era futuro.
Passou o dia sem nada acontecer e eu não pensei em nada. Me senti vazio e normal.
Passou como quem passa na rua, e andou pra frente sem perceber, e fez um vento.
Fez um vento em mim e eu fiz o meu dia sem inventar. Fui fazendo, indo, vindo, comendo. Comi sem pensar que era uma comida do presente. Amanhã vai ser uma comida do passado que não lembrarei o gosto.
Esse pensamento ao menos afetou o que seria esse dia sem pensamento. A inércia machuca o tempo da mudança, é preciso se movimentar, sempre pensante. É uma dica que dou para não ser como eu ou outrém que não pensa o que faz, apenas faz o dia acontecer.