segunda-feira, setembro 29, 2008

há mais terra no vaso.

Não conseguia perceber beleza, eu não.
Era fácil de ver algo errado, ou não ver alguma coisa certo, alguma certeza. Só percebia insegurança nesse caminho.
De tantos devaneios, os motivos...
Há mais terra no vaso, menos terra no chão.

De tantos concretos, um murmúrio fugaz
Contrariando algo que todos sabem mas ninguém é capaz de negar
Fazer o seu, à sua moda, em seu tempo.
De tantos prédios, criamos os vasos
E de tantos muros, conjuramos as escadas

Eu, você, eu, ele...
Pedimos isso, com um brilho no olhar, uma palavra enganadora, um aperto de mão
E agora?
Há mais terra no vaso...

Um caminho louco meu é só meu
Que não é fruto, é só uma razão
Criada pra disfaçar e atenuar as imagens da realidade
Há mais terra no vaso, mais e mais no vaso
E eu esqueci do chão.


segunda-feira, setembro 15, 2008

esse rala num rola mais

Não rola.


Eu fui alertado. Parei. Fiquei olhando meio de lado e fitei num relance a cena que se repete todas as vezes. Mas dessa vez não foi um relance relapsado, foi um relance consciente. Fui buscar naquela cena os sentidos que realmente motivam aquele roteiro, sempre igual. Os atores sempre mudam, as atrizes são as mesmas. Mas quem são os diretores?

Mano Biel se adiantou no pensamento e logo me disse o que pensava, e eu já estava pensando aquilo também.

É irmão, na selva acirrada, os lobos se destacam, e vale a pena um dia ficar apenas observando o movimento. As atitudes. Você viu tudo, eu também vi, tá tudo claro, to vendo tudo mais nítido.

Literalmente, não passa de farinha do mesmo saco. Clareou... =]

quarta-feira, setembro 03, 2008

dia

Hoje o dia já quase passou.
Já é, portanto, quase passado.
Mas hoje é presente.
Não aconteceu nada, mas é presente.
E era futuro de ontem, planos e sonhos.
Não aconteceu nada, mas era futuro.

Passou o dia sem nada acontecer e eu não pensei em nada. Me senti vazio e normal.
Passou como quem passa na rua, e andou pra frente sem perceber, e fez um vento.
Fez um vento em mim e eu fiz o meu dia sem inventar. Fui fazendo, indo, vindo, comendo. Comi sem pensar que era uma comida do presente. Amanhã vai ser uma comida do passado que não lembrarei o gosto.

Esse pensamento ao menos afetou o que seria esse dia sem pensamento. A inércia machuca o tempo da mudança, é preciso se movimentar, sempre pensante. É uma dica que dou para não ser como eu ou outrém que não pensa o que faz, apenas faz o dia acontecer.